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Mensagens

Mea Culpa

Estava aqui a pensar em como é fácil perder-se a noção das prioridades, da hierarquia das coisas, da importância e do valor. De repente, na primeira contrariedade, tudo se mistura e uma farpazinha num dedo transforma-se numa calamidade física. É tão fácil perdermos a perspetiva e o foco. De repente, já não sabemos para que lado andamos. Aconselho sempre ver o telejornal para que as nossas maçadas se coloquem no devido lugar. Tanta energia que gastamos a preocuparmo-nos com coisas que nem ainda aconteceram, com o futuro e com todos os " e ses" do nosso mundinho pequenino e ridículo. Se olharmos para o que se passa no mundo, com outros iguaizinhos a nós, passa-nos logo a vontade de termos pena de nós próprios e de termos medo de nada e de tudo, principalmente do que não aconteceu. As desgraças que estão a acontecer não podem ser vistas como quem vê um anúncio na TV. Já que infelizmente aconteceram, já agora, vale a pena mostrarmos um bocadinho de respeito e de solidariedade co…
Mensagens recentes

A tertúlia e eu

Sabem que esta coisa do escrever tem que ser com alma. Não se escreve como quem cozinha ou como quem arruma um armário. Escreve-se com o coração, com a essência. Com o sofrimento, com a alegria, com o amor profundo, com a emoção, com a contemplação, com a ferida, com a sangria desatada. Não se escreve com as palavras. Escreve-se com sangue, com aquele que jorra do coração. Ou escreve-se com a luz que sai da alma. Ponto final parágrafo. 
As palavras são apenas os pingos de tinta que fazem com que os outros vejam, oiçam, sintam ou percebam o que nos vai por dentro. A escrita faz com que eu própria consiga colocar ordem nas minhas emoções e nos meus sentimentos. Escrever faz com que eu consiga conhecer-me melhor. E quanto melhor eu me conheço, melhor sou para os outros. Mais compreensiva, mais tolerante, mais paciente. Com a escrita aprendi a escutar melhor o meu coração. Aprendi a desligar mais a cabeça. Quando escrevo só quero a cabeça a servir de dicionário. Só serve para encontrar as …

O paradoxo do Natal

Que bom voltar a escrever! Tenho andado um pouco arredia. A controlar as emoções de outra forma. São fases, estados de alma. E se me parece que não tenho nada para acrescentar à minha alma ou à dos outros, prefiro não escrever. Se o desabafo não é boa escrita, dou conta dele de outra forma. E assim tem sido. Mas agora tenho muitos paradoxos na cabeça e apetece-me tentar alinhar as ideias desta forma, escrevendo. Esta época festiva é sempre uma época paradoxal. Já nem sei o que deva pensar sobre o assunto. Talvez seja melhor procurar sentir e deixar a cabeça um pouco de lado. 
É paradoxal o facto de termos que ser e que fazer uma data de coisas por decreto. Temos que ser bons, amigos da família, solidários, serenos, amenos, amigos, fraternos, inclusivos, tolerantes e mais uma enormidade de qualidades possíveis e desejáveis no ser humano. Festeja-se a família, a paz, a harmonia. Aborrecem-me as coisas por decreto e numa época específica do calendário. E o resto ano??? Podemos pintar a ma…

Um elefante numa loja de porcelana

Apesar de ser um elefante cada vez mais pequenino e cor-de-rosa e de as lojas terem corredores mais largos, de vez em quando ainda me sinto como um elefante numa loja de porcelana. Por muito que não queira, tenho um medo desgraçado de fazer estragos. Como a porcelana é muito sensível e eu sou pouco delicada, a coisa pode não correr lá muito bem. Por isso, procuro observar as montras das lojas de porcelana, espreitar lá para dentro, apreciar a beleza e a delicadeza das peças cá de fora, sem que tenha muita possibilidade de fazer estragos.

Para se pegar em porcelana ou para simplesmente passar por ela numa atitude apreciativa é preciso que a porcelana esteja preparada para ser pegada ou apreciada. E por vezes, eu, elefante cor-de-rosa, esqueço-me disso. E pronto, entro loja adentro como se não houvesse amanhã. Só depois é que penso que poderia ter feito estragos...e uma peça partida, mesmo que se volte a colar, nunca mais fica na mesma. Fica colada. Mas não fica no seu estado original. E…

Debaixo da pele

Debaixo da minha pele há mar.
Só pode haver mar. 
Não existe outro elemento.

Debaixo da pele tenho a serenidade azul e transparente de quem encontrou o sentido da vida.

Debaixo da pele tenho a fúria das marés que se levanta quando o caminho se torna tortuoso, sinuoso e recôndito.

Debaixo da pele tenho a liberdade das ondas e a espuma dos dias. Tenho redemoinhos e correntes. Frias ou quentes. Nunca mornas.

Debaixo da pele tenho uma imensidão redonda, sem princípio nem fim. Tenho a profundidade dos oceanos e a linha do horizonte. Tenho crateras profundas, rasgadas da crosta e tenho recifes de corais a perder de vista. 

Debaixo da pele tenho as salinas de onde as lágrimas se deitaram. Tenho a força dos moinhos de maré que trituram as amarguras semeadas pela vida. 

Debaixo da pele tenho guelras que me deixam respirar quando não consigo manter-me à tona da água. Tenho uma carapaça de escamas que não deixa os arpões espetarem. Tenho as cores dos raios de sol que se decompõem na água. 

Debaixo da pel…

Andar sobre o fogo

Hoje tive uma conversa que me fez começar a borbulhar. O meu cérebro e o meu coração ligam as turbinas e desatam a produzir umas bolhas de qualquer coisa que têm que saltar cá para fora. E tudo começou com um "cair de ficha", como costumo dizer. De repente, cai-nos uma ficha e descobrimos qualquer coisa que sempre esteve à frente dos olhos e nunca tínhamos conseguido ver. Ou descobrimos uma coisa nova que faz todo o sentido na nossa vida. Ou que tem a ver com o próprio sentido da nossa vida. Estas quedas de ficha também me acontecem de vez em quando. Hoje em dia, as minhas fichas caem muito mais facilmente, sem muito esforço, e sem ser necessário montanhas de sofrimento. Houve muitas aprendizagens e descobertas que fiz, no passado, a toque de caixa. Com muita dor. Com muito coração partido. Com muitas lágrimas. Hoje em dia, parece que sou melhor aluna e as descobertas já não doem tanto. Já são mais fáceis. Quando conseguimos entender que o sentido da nossa vida passa muito p…

O Planeta das Tolas

Apetece-me escrever sobre um planeta que fica numa outra dimensão qualquer. Deve ser o meu planeta de origem. Diferente deste onde vivo. Sinto-me tantas vezes uma ET que me parece que devo mesmo vir de outro planeta. Conheço mais gente assim (muito pouquinha, só uns exemplares raríssimos). Se calhar viemos numa fornada qualquer e, por engano, caímos de para-quedas nas nossas famílias. Esta é uma suposição que cada vez me faz mais sentido. É que explica muita coisa. E se este planeta se chamasse o Planeta das Tolas ainda mais coisas explicava. É assim que me sinto neste momento. Uma tola. E as tolas costumam ter um coração cheio de cicatrizes e uma cabeça cheia de interrogações. Não entendem muitos dos registos das outras pessoas. Não entendem as suas formas de relacionamento, de comportamento. Não entendem aquelas coisas de só se pensar no seu próprio umbigo sem se pensar nos umbigos dos outros. Não entendem as relações unívocas em que só se recebe e não se retribuí nada.
No Planeta da…